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Brasil, pátria policial

patria policial

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Síndrome de Liubliana, poema novo

Síndrome de Liubliana

Você falava alemão
enquanto dormia. Eu lhe implorei
leve-me ao lago
nas costas
de um dragão expresso. As montanhas
conceberão nossas fixas
revoltas. Um turismo
feito de piña colada e cães
recém-nascidos. O que mais
haveria para os nossos cinco
sentidos? Talvez um beijo
de despedida entre o
castelo e os correios.
A pequena cicatriz
no seu lábio inferior.
As couve-flores
que tivemos para
o almoço. Eu
lhe verei outra vez?
Como mágica
risos tornam-se
o fastio. O vinho
que azeda e amarra em minha
complacência. Logo após
a polícia nos parar
ao cruzar o sinal
vermelho, eles cantaram
um hino fascista.
Não é isso
que os sociólogos
tanto declaram como
o espírito dos tempos?
Eu me rendo
diante seus olhos de ex
anarquista. Um verde
um azul. Você conta
como largou as ilícitas
utopias. Como hoje
prefere a ideia de
maternidade. O amor
afinal é a mais
longa renitência.
Se as florestas
da Eslovênia queimassem
em abril, eu entraria
no fogo apenas para
escrever seu nome
entre a fumaça
pó desespero.

todos os rins do presidente, poema novo, 13/03/2015

todos os rins do presidente

A frustração prepara
para o pior. Heróis
apenas trapaçam
quando revelamos

a aposta. Não há
homem por trás
da cortina. Embora
uma simples caixa

sonora repita: viva
viva o patriarcado!
Religiosamente, eu
vomito a minha sina.

Entre os nervos semi
digeridos, distingo
alguns caroços de
esperança e tino.

Encaro as secreções
como uma freira
desarma uma bomba. Em
vão. Exausto, explodo.

Se feito um cão
eu lamber meus
restos e intestinos
ainda serei parte

deste canil? Maior
que a soma das guias
coleiras e cios?
Ou excitadamente

devo continuar
cheirando o cu
do que assoviam
democracia?

Chegar à isso, Mark Strand

Mark Strand morreu ano passado. Chegamos à isso.

Chegar à Isso

Fizemos o que queríamos.
Descartamos sonhos, preferindo a densa indústria
de um ao outro, e recebemos o pesar
e declaramos falência o impossível hábito de partir.

E aqui estamos agora.
O jantar está pronto e não podemos comer.
A carne esfria na branca poça de sua louça.
O vinho espera.

Chegar à isso
tem suas recompensas: nada é prometido, nada é levado embora.
Não temos coração algum nem graça suprema,
nenhum lugar para ir, nenhum pretexto para ficar.

,

Coming to This

We have done what we wanted.
We have discarded dreams, preferring the heavy industry
of each other, and we have welcomed grief
and called ruin the impossible habit to break.

And now we are here.
The dinner is ready and we cannot eat.
The meat sits in the white lake of its dish.
The wine waits.

Coming to this
has its rewards: nothing is promised, nothing is taken away.
We have no heart or saving grace,
no place to go, no reason to remain.

Territórios Tautológicos, poema novo, 11/03/2015

Territórios Tautológicos
Camas não fazem
bons palanques.
Mas quando amantes
de diferentes
continentes
comunicam-se
em inglês
são expostas
as exceções.
Sob os lençóis
ela lhe explica
como partiu
apressadamente
sem poder
abraçar a mãe.
Como utilizou
as estradas
emergenciais
implorando água
água água
em postos
de gasolina
ou casas entupidas
com cegos e viúvas.
Na fronteira, guardas
impõe as habituais
e cínicas
demonstrações
hierárquicas.
Salas de espera.
Filas. Burocracia.
Pergunta-se
quem, onde
porquê. Porcos
contra corpos. Por
fim, grunhem
valores entre um
favor e dois
vistos americanos.
Pelo cume em sua
voz, você nota
como a autoridade
a frustra feito
uma fruta
podre no fundo
do freezer.
À esta altura
a história fica
um tanto confusa.
Ela pula
para o futuro.
Diz que um dia
escreverão os nomes
de todos os miseráveis
nas pirâmides
de Gizé. Que suas
mortes não foram
por óleo, fama & livre
comércio. Lá fora
um velho atravessa a rua
carregando uma caixa
de bananas. Amanheceu.
A feira está aberta.
Pessoas acumulam-se.
Você a beija
nos lábios
como se tudo
fosse ficar
bem.

kontroll

kontroll

quinta-feira
envelheço
uma vaca
e as linhas
do metrô
correm contra
suas mãos
atrasadas
acidentais
o implausível
encontra o
inadiável
pontualmente
seria melhor um
muro entre nossos
dentes dizer
adeus sempre é
o suficiente
para apagar
uma nova
língua que
falaria
apenas
com você

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ddino

When I came back from Berlin and the airplane was over Budapest, just about to land, I saw all those city lights reflecting and dancing. That was when I realized I was in love with this city.

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